Política

5 razões para Temer não chegar ao fim do mandato

Os chefes de governo do Brasil sempre precisaram de uma base de apoio para continuar no poder. Quando esta base é desfeita, os governos normalmente caem. Não faltam exemplo. Foi assim no Brasil Império quando D. Pedro II perdeu apoio dos escravocratas, passando por Jango que se desentendeu com o Exército, Collor que brigou com a Globo e, mais recentemente, Dilma quando perdeu a base popular.

Com Temer, a história não será diferente. Ele chegou ao poder graças a um descontentamento geral com Dilma e foi apoiado por setores importantes do poder no Brasil: o congresso, os super-ricos, a mídia, a classe média conservadora e as forças de segurança. Vamos ententer como ele está perdendo cada um destes apoios.

Temer faz pronunciamento à nação. Foto: Fala Prefeito

Temer faz pronunciamento à nação. Foto: Fala Prefeito

1 – Congresso

Antes de sair da interinidade, Temer já se desentendeu com o próprio partido, quando parte do PMDB (incluindo o presidente do Senado Renan Calheiros) decidiu manter os direitos políticos de Dilma. Outro ponto importante, foi a incapacidade de tocar as reformas neoliberais exigidas pelo PSDB, como a reforma da Previdência, que deve sair somente depois das eleições municipais.

Apesar disso, Temer mantém um razoável apoio dentro do Congresso pois já conseguiu “estancar a sangria” criada pela Lava Jato, que não importuna políticos da base do Governo. Basta notar que até hoje não se investigou o conteúdo do vazamento das conversas entre o ex-ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que incriminavam toda a base do novo governo. As denúncias contra o Ministro das Relações Exteriores José Serra (PSDB-SP) e o Senador Aécio Neves (PSDB-MG) já saíram do noticiário. Portanto o “grande acordo nacional” tem funcionado até agora. Temer deverá recosturar estes acordos se quiser continuar no pode.

Temer se reúne com o Renan Calheiros e Aécio Neves. Foto: Pedro Ladeira

Temer se reúne com o Renan Calheiros e Aécio Neves. Foto: Pedro Ladeira

2 – Super-ricos

Os super-ricos do Brasil são aqueles 71.440 que declararam ter renda acima de R$108 mil por mês. Estes tem como maior fonte o rentismo via títulos da dívida (por isso temos um dos maiores juros do mundo) ou ações em empresas. Com a crise, as ações de empresas perderam sua rentabilidade, mas os juros seguraram. Agora, o Governo Federal já não comporta mais aumentar a dívida e uma crise bancária é eminente se os juros não forem baixados. Portanto, ou a economia cresce, ou os super-ricos terão que “apertar o cinto” e deixarão de comprar uma Ferrari nova este ano.

Entretanto, os números da economia não são nada promissores para 2016, ou seja, o governo de Temer não foi capaz de acelerar a economia e os super-ricos. Sem dizer que as crescentes manifestações do #ForaTemer já devem impactar a Bolsa. Com a derrocada dos super-ricos que apoiam Temer, como ocorreu no financiamento de grupos pró-impeachment e no Pato da FIESP, será difícil o governo manter o apoio popular. Será muito difícil Temer manter o apoio dos mais ricos.

Do empresário Eike Batista, o Pershing 115 é um dos iates mais caros e luxuosos do mundo.

Do empresário Eike Batista, o Pershing 115 é um dos iates mais caros e luxuosos do mundo.

3 – Mídia

Rede Globo, Folha e Estadão tem apoiado incansavelmente o novo presidente. Basta ver como noticiam a grave rejeição de Temer, entre 31% e 53% nas capitais, com a cínica chamada “Aprovação ao governo Temer varia de 8% a 19%” no Globo e o apoio editorial da Folha ao massacre impetrado pela Polícia Militar de São Paulo contra os manifestantes #ForaTemer.

Entretanto, se o Mercado der sinais de rejeição ao Governo, este apoio deve cessar, como ocorreu no caso do governo do Partido dos Trabalhadores, quando Dilma decidiu reduzir os juros. Ou seja, a mídia deve acompanhar os super-ricos em suas decisões, como sempre o fez.

Rejeição de temer de até 53% foi tratada pelo G1 como se fosse aprovação de até 19%. Fonte: Site G1.

Rejeição de temer de até 53% foi tratada pelo G1 como se fosse aprovação de até 19%. Fonte: Site G1.

4 – Classe-média conservadora

Temer nunca gozou de muita simpatia da classe-média conservadora, por ter apoiado o plano do PT por tantos anos. Além disso, alguns grupos já o chamam de comunista, outro dizem que ele é satanista. A verdade é que a grande desaprovação de Temer também vem destes grupos que o utilizaram para frear a hegemonia PTista de 14 anos. Os conservadores que o apoiaram devem retirar rapidamente o suporte assim que o Governo aprovar medidas impopulares.

Google, o oráculo moderno, completa a frase "Michel Temer é".

Google, o oráculo moderno, completa a frase “Michel Temer é”.

5 – Forças de segurança

O famigerado monopólio da violência pelo Estado Brasileiro, que impediu tantas vezes os avanços progressistas, esteve do lado de Temer para tirar a Dilma, o que ficou evidente na forma que estes manifestantes eram tratados.

Manifestantes tiram foto com policial durante ato contra o governo Dilma na avenida Paulista em São Paulo - 15/03/2015 Foto: Ricardo Matsukawa

Manifestantes tiram foto com policial durante ato contra o governo Dilma na avenida Paulista em São Paulo – 15/03/2015 Foto: Ricardo Matsukawa

Entretanto, com a crise, ficou insustentável garantir os salários destes policiais, que já ameaçam greves em vários estados, incluindo o Distrito Federal, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, sem contar com a ameaça de paralização nacional das polícias civis. Os policiais que não podem fazer greve também estão descontentes, como no caso do Coronel da Polícia Militar do DF que foi exonerado após cobrar aumento salarial. Será muito difícil Temer manter o apoio que tem das forças de segurança.

Portanto, os alicerces que garantem a governabilidade de Temer e sua manutenção no poder estão criticamente frágeis e podem ruir a qualquer momento. Neste momento, enquete no Senado aponta que 95% da população é a favor de convocar novas eleições, e já conta com quase 200 mil votos.

Quanto tempo você acha que esse governo dura? Responda nos comentários.

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