Brasil

Caos no Espírito Santo é obra do acaso?

Era noite do dia 9 de fevereiro de 2012, há exatos 5 anos, os jornais estampavam uma greve dos policiais militares e bombeiros. Uma greve que seria histórica pela adesão. Os bombeiros tomaram o Quartel General e os policiais militares se negaram a sair dos seus. Não demoraria para o Rio de Janeiro virar palco de alguns atos pelo Centro do Rio parecidos como os recentes, mas uma diferença significativa separa 2012 de 2017. Poucas horas depois de decretada, os primeiros bombeiros já estavam sendo levados ao presídio de segurança máxima de Bangu e os policias militares também foram presos, seguindo o regimento interno.

Segundo o regimento militar, é vedado a qualquer militar o direito a greve (um dos muitos motivos que se fala sobre desmilitarização da polícia, mas isso é assunto para outro momento), por isso, qualquer movimento de greve é considerado motim e imediatamente reprimido. No entanto, nenhum policial militar do ES foi preso até o momento (sabemos que a greve não foi declarada pela categoria, não faria sequer diferença já que não existe legalidade nisso, mas pararam e isso é motim. Além disso, hoje saiu uma nota de uma possível punição, 6 dias depois, o que nunca ocorreu tanto tempo depois).

Essa greve é um projeto. O calculo é simples: a polícia se ausenta → geração do caos e do medo → o Estado agora tem carta branca para fortalecer os setores militares.
Essa greve é um jogo de cartas marcadas. Historicamente, os movimentos em direção a um projeto de Estado Policial tem início com o fomento do medo. Precisam incutir à população a necessidade do fortalecimento do braço armado do Estado, é preciso que a população apoie, pois nenhuma ditadura se constrói sem apoio popular e esse apoio só vem pelo medo.

Não existe contexto histórico pra uma ditadura militar, não se trata disso, mas nada impede que o Estado se fortaleça e se militarize sem precisar mexer em um ponto sequer da constituição (apesar de que isso já vem acontecendo). O fortalecimento da “segurança” para combater o inimigo interno é uma estratégia política presente em qualquer forma de governo, o que muda é o inimigo interno.

Nos últimos tempos, o Estado tem fortalecido suas bases militares internas, por exemplo, o governo Temer vem trabalhando no fortalecimento de instituições como a Força Nacional de Segurança. Paralelamente, este aumento significativo da repressão teve o apoio da mídia comercial (nenhuma novidade), mas não podemos assumir que esse “caos” é obra do acaso. A situação irá piorar e, apesar de sabermos disso, estar atento a certos detalhes como os últimos acontecimentos é imprescindível. Estamos caminhando pra um retrocesso gigantesco de direitos e já se espera revolta popular – os poderosos sabem disso.

<Autor anônimo>

1 Comment

1 Comment

  1. Lair Amaro dos Santos Faria

    fevereiro 10, 2017 at 1:57 pm

    Os policiais estão sendo presos. Uma capitã está presa por incitar a greve.

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