Brasil

Empatia pela democracia

intervenção militar

Entre a dúvida se minha opinião seria relevante e a falta de tempo real, fiquei no campo da omissão em relação à intervenção militar no RJ. Porém, logo fui tomada pela angústia do silêncio e decidi me posicionar.

Sou terminantemente CONTRA desde que soube da possibilidade de seu decreto na sexta feira pós Carnaval, 16/02/2018. Um fim agressivo ao Carnaval da utopia, tempo em que as contradições afloram e as farsas se desmantelam (tema para outro texto).

Todavia, independente da minha vontade ou opinião a intervenção militar veio e já revela a crueldade da criminalização do trabalhador informal, dos moradores de favela, e sua expressão mais vil, sobre estudantes de escolas públicas. Sujeitando crianças à violência de serem “suspeitas” por serem quem são: na maioria negras das camadas mais exploradas da sociedade de classes.

Mas, para as classes privilegiadas, incluindo a medíocre classe média, que trabalha mas vive sob o desejo de ser “rica”, aquelas crianças não compartilham dos mesmos direitos que as suas. Seriam mesmo crianças?! Alguns mais “pacatos cidadãos” dotados de seus comprovantes de propriedade privada diriam que são “pequenos delinquentes”. Essa projeção que fazem das crianças, elas, as crianças, por forças, às vezes até heroicas, conseguem transcender.

Enquanto as classes privilegiadas mantêm seus privilégios e barganham sua falsa impressão de segurança em troca da liberdade alheia, não levantarão a voz, não baterão panelas. Caso o fizessem, sob um traço de sua indignação correriam canetas dos diversos ditadores de opinião para apresentar em suas colunas de jornais e revistas populares a defesa dos interesses “do povo”.

É importante dizer que tais pessoas não são necessariamente vis, ou corruptas (oitavo pecado capital), mas não lhes toca o constrangimento alheio, não são capazes de ver para além de seus retrovisores com a janela de vidro fumê fechada, não criam a menor empatia pelo outro que lhes é menos próximo do que seus cães em miniatura.

Chego aqui à minha inquietação e motivo deste texto:

Como fazer essas pessoas criarem empatia pelo outro do qual por conveniência, ou maldade lhes foi ensinado a ter medo?

Como fazer terem empatia por um mundo que não experienciam e nem conseguem ver? (Será que veriam se quisessem?)

Como quebrar a merda de seu vidro fumê sem incitar a violência?

Como mostrar que violência e medo são o que as pessoas coagidas por homens fardados e altamente armados devem estar passando?

Como fazer essas pessoas levantarem a voz por quem nunca foi ouvido?

 

Texto: Jade Prata

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