Brasil

Não são todos “delinquentes”. Uma resposta à Gregório Duvivier

Primeiramente: Liberdade para Rafael Braga.

Recentemente Gregório Duvivier que é um humorista e escritor muito talentoso em seu ofício fez uma declaração no mínimo estupida, isso pra ser elegante com ele. (O texto que foi incorporado acima deste)

O humorista e escritor compara (entre outras comparações) os jovens Caio e Fábio condenados pela morte do cinegrafista Santiago com os assassinos do ajudante de pedreiro Amarildo.

Não sei nem por onde começar a falar da falta de sensibilidade e da inabilidade do Gregório ao fazer tal comparação. Vamos brevemente aos casos para perceber a diferença:

Amarildo foi abordado em sua casa por homens legalmente armados, soldados da PM, sequestrado, torturado, morto e desaparecido, os homens a quem o humorista e escritor por sua conta alcunhou de “delinquentes” deliberadamente tentaram ocultar seu crime de diversas formas, aproveitando-se de sua condição de autoridade(uma das condenações deles é de abuso de autoridade) desapareceram com provas, forjaram falsas provas criminalizando o Amarildo (uma falsa ligação telefônica de traficantes que na verdade era entre os soldados criminosos, entre outras), não admitiram o ocorrido e covardemente atrapalharam todo o processo. Os PMs tinham total controle da situação, agiram de forma consciente e organizada e propositalmente sequestraram, torturaram, mataram e desapareceram, ocultaram cadáver de uma pessoa.

Santiago foi atingido por um rojão em fogo cruzado entre o Batalhão de Choque e grupos de autodefesa de um ato contra o aumento da tarifa, rojão esse que era endereçado aos soldados que disparavam bombas e balas de borracha a esmo contra os manifestantes e a população em geral que ali estavam na Central do Brasil, rojão se desviou do trajeto e atingiu acidentalmente Santiago. Vale lembrar que um senhor de idade desnorteado pelo excesso de gás lacrimogêneo disparados pelos soldados acabou morrendo atropelado por um ônibus na avenida presidente Vargas, tal era o nível da violência perpetrada pelos soldados contra a população em geral. Caio e Fabio acabaram a quem também Gregório alcunhou de “delinquentes” atingindo o cinegrafista, mas no momento que tentavam se defender da PM que agia covardemente. Ambos se entregaram, ambos assumiram a devida culpa na morte do cinegrafista Santiago. Caio e Fabio não tinham menor controle da situação, não tinham menor intenção de chegar a esse desfecho trágico e assumem sua responsabilidade pelo ocorrido.

Não sei o que Gregório Duvivier entende por delinquência, mas acho que em nenhum dos casos essa definição se aplica.

Vemos isso acontecer em um momento que acontece uma investida policialesca e midiática contra o Caso de Caio e Rafael, e ainda, sob uma onda de delação por parte dos (ex)governistas petistas e afins contra setores mais combativos dos movimentos populares. Que papel Gregório acha que está cumprindo?  Sei que ele não me fez rir como de costume.

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