LGBT

O Dinheiro para a Parada LGBT

Recentemente, o cadidato não tão bem sucedido à prefeitura do Rio Bolsonarinho disse que iria cortar as verbas destinadas à programas de inclusão e apoio a LGBTs e que cortaria também a verba destinada à organização da Parada do Orgulho LGBT de Copacabana, com o argumento de que esse dinheiro iria fazer falta aos cofres públicos. Mas exatamente sobre oque e sobre qual montante de dinheiro estamos falando?

Primeiramente, uma das principais críticas é que a Parada Gay se tornou apenas uma festa e deixou de lado seu questionamento político. Será mesmo? A polêmica gerada em torno da performace da transsexual Viviany Beleboni, “crucificada” na Parada De São Paulo, mostra que a mensagem política foi passada e incomodou bastante alguns setores fundamentalistas. Além disso, a simples existência de um evento que reuna 1 milhão de pessoas em torno da causa LGBT já é, por si só, uma importante mensagem política.

Também fala isso quem tem uma visão preconceituosa e fechada da Parada, que vê apenas os beijos e não vê os cartazes e faixas levados por milhares dos frequentadores. Essas pessoas também normalmente só conhecem a Parada de Copacabana, e nunca foram nas outras dezenas de paradas que acontecem em vários bairros do Rio de Janeiro, essas normalmente são um importante espaço de politização e discussão do meio LGBT.

Falando agora do ponto de vista financeiro, precisamos pedir para o candidato se ele também pretende cortar a verba destinada à Marcha Para Jesus. Porquê? Vamos aos números: A Marcha para Jesus reune cerca de 500 mil pessoas anualmente e recebe da prefeitura um montante de 1,6 milhões de reais para sua realização, totalizando um total de R$3,20/pessoa. Já a Parada do Orgulho LGBT de Copacabana tem um público anual estimado em 1 milhão de pessoas e recebe atualmente 340 mil reais para sua realização, totalizando R$0,34/pessoa. Isso quer dizer que, por pessoa, a Parada LGBT custa aos cofres públicos um décimo do custo da Marcha para Jesus. A Parada de Copacabana é inclusive o terceiro maior evento anual da cidade, estando apenas atrás do Carnaval e do Reveillon.

Comparação entre os repasses de verbas da prefeitura para a Marcha Para Jesus, organizada pelo Pastro Silas Malafaia, e para a Parada do Orgulho LGBT de Copacabana, organizada pelo Grupo Arco-Iris.

Comparação entre os repasses de verbas da prefeitura para a Marcha Para Jesus, organizada pelo Pastro Silas Malafaia, e para a Parada do Orgulho LGBT de Copacabana, organizada pelo Grupo Arco-Iris.

 

Agora vamos discutir a proposta de fechamento da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS), órgão ligado diretamente ao gabinete do Prefeito. Segundo o candidato, essa coordenadoria seria extinta para a criação de uma Secretaria de Direitos Humanos, para dar apoio a pessoas “vítimas de crimes”. O raciocínio do candidato não é claro, mas sem ele citar, provavelmente Coordenadoria da Igualdade Racial, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência também seriam extintas para a criação dessa nova secretaria, que se preocuparia apenas com casos policiais.

De imediato essa proposta fere princípios constitucionais, como por exemplo o fato de que resolução de crimes não ser parte das incumbências da prefeitura. Também podemos nos questionar qual seria o futuro de importantes políticas e campanhas de promoção à igualdade racial, respeito à diversidade sexual, contra à violência à mulher, etc. Ao que parece, o candidato prefere uma cidade selvagem e policiada do que uma cidade educada. Outros programas, como o Damas, correriam sério risco. Este programa dá uma bolsa-auxílio de R$300,00 mensais e Riocard para que travestis e transsexuais marginalizadas passem por capacitação profissional e assim consigam se inserir no mercado de trabalho e assim deixar a vida de prostituição forçada. Precisamos lembrar que é extremamente comum que travestis não consigam emprego unicamente por causa de sua identidade de gênero.

Resumindo no final das contas: o candidato usa argumentos desonestos intelectualmente para acabar com programas de visibilidade LGBT (e de outros grupos, como mulheres, negros e deficientes), promovendo sua política violenta, fascista e LGBTfóbica.

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