Brasil

Só existe democracia no Leblon

Haverá mesmo intervenção militar no Rio de Janeiro?
                                            
A resposta é sim!
                                            

Enquanto os tanques, blindados e fuzis não tomarem as ruas do Leblon; enquanto as coronhadas não acertarem as cabeças hipsters da high society e as balas ‘perdidas’ não perfurarem os ternos e vestidos de grife, manchando-os de vermelho, o Brasil continuará sob intervenção militar.                                            

Haverá, houve e há, constantemente, intervenção militar, não só no Rio de Janeiro, mas em todo o país. Obviamente é um absurdo constitucional o decreto federal, assinado por Michel Temer, autorizando a intervenção das Forças Armadas na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, principalmente, tendo em vista a proximidade da votação da Emenda Constitucional que modifica a Previdência Social.                                     

Entretanto, é um erro assumir que o Brasil vive uma democracia. Nas periferias a intervenção militar é constante, não tem início na data desse decreto. Vale ressaltar que o Rio já utiliza, desde o ano passado, tropas do Exército para fazer a ‘segurança’ em algumas áreas da cidade.                                           

Houve também intervenção ostensiva das Forças Armadas  durante o governo Dilma, no Período da Copa do Mundo e Olimpíadas, estendendo-se na região da Maré por ainda 14 meses, com cerca de 10.000 homens, fazendo com que os moradores vivessem sob um clima de guerra civil.

Números assustadores mostram o número de  mortes violentas no país (58.383 pessoas só em 2015, mais que a guerra em curso na Síria, naquele ano) e de assassinatos cometidos pela própria Polícia  (21,9 mil, entre 2009 e 2015, 76,2% deles, negros).

        

A população pobre e negra está submetida a um verdadeiro genocídio, tanto pelas mãos do ‘crime’ quanto através do braço repressor do Estado, o que evidencia, de maneira incontestável, não só a inexistência da Democracia como o fato de que a própria escravidão nunca foi abolida, crítica esta muito bem feita pela G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti, durante o desfile das escolas de samba neste ano de 2018:

Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz“.

 

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